terça-feira, 28 de julho de 2009

Como interpretar os valores éticos

valores éticos pode ser absoluta ou relativa”. A primeira “baseia-se na premissa de que as normas de conduta são válidas em todas as situações” e, a segunda, “de que as normas
dependem da situação.
No que tange à ética relativa, os orientais entendem que os indivíduos devem dedicar-se inteiramente à empresa, que constitui uma família à qual pertence a vida dos trabalhadores. Já para os ocidentais, o entendimento é de que há diferença entre a vida pessoal e a vida profissional.
Assim, encerrado o horário normal do trabalho, o restante do tempo é do trabalhador e não do patrão. Quanto à ética absoluta, parte-se do princípio de
que determinadas condutas são intrinsecamente erradas ou certas, qualquer que seja a situação, e, dessa maneira, devem ser apresentadas e difundidas como tal5. Ressalta Maximiano (1974) que “um problema sério da ética absoluta é que a noção de certo e errado depende de opiniões”. Cita como exemplo: os bancos suíços que construíram uma reputação de confiabilidade com base na preservação do sigilo sobre suas contas secretas. Sob a
perspectiva absoluta, para o banco, o correto é proteger a identidade e o patrimônio do cliente. Durante muito tempo, os bancos suíços foram admirados por essa ética, até ficar evidente que os clientes nem sempre eram respeitáveis.
Traficantes de drogas, ditadores e nazistas haviam escondido, nas famosas contas secretas, muito dinheiro ganhado de maneira ilícita. Os bancos continuaram insistindo em sua política, enquanto aumentavam as pressões
internacionais, especialmente dos países interessados em rastrear a lavagem de dinheiro das drogas ou recuperar o que havia sido roubado pelos ditadores e nazistas. Para as autoridades desses países, a ética absoluta dizia que o sigilo
era intrinsecamente errado, uma vez que protegia dinheiro obtido de forma desonesta. Finalmente, as autoridades suíças concordaram em revelar a origem dos depósitos e iniciar negociações visando à devolução do dinheiro para os seus donos.
É possível perceber que os valores predominantes na sociedade brasileira e em seus governantes e políticos são fatores determinantes na qualidade dos serviços públicos. Ilusões e esperanças têm se desmoronado e é possível
distinguir três fatores responsáveis por esta questão. Antes de tudo, destaque-se que cada um carrega consigo mesmo uma hierarquia abstrata de valores que orienta suas escolhas. Pode colocar no ápice da cadeia hierárquica a solidariedade, a comunhão, o interesse público ou, em vez disso, a rivalidade ostensiva, o individualismo exacerbado e o interesse pessoal. Em segundo lugar, possui uma visão, mais ou menos esquemática, das forças em
competição, avaliando as que sintonizam com seus valores e rejeitando e se opondo àquelas que deles se afastam. Esses dois fatores são condicionados por um terceiro: o fluxo de informações que se registram no cérebro humano.
A globalização da informação pode conduzir à desinformação na medida em que a agilidade e a rapidez desse fluxo, além de sua quantidade em prejuízo da qualidade, levem administradores públicos a filiar-se a forças destruidoras
de seus valores, impedindo sua realização. Valores se constroem, destroem e reconstroem em movimento incessante e dinâmico. Nesse processo, urge
estancar a destruição dos valores éticos na administração pública. Pousem eles definitivamente em nosso chão, tarefa de todos, e não só de um ou de determinados segmentos da sociedade. Essa tarefa implica ousadia, coragem, vontade política firme, inclusão social, práticas gerenciais transformadoras,
descentralização de poder e, sobretudo, preservação de valores éticos

Um comentário:

  1. O trexto ta interessante. Só ficou faltando imagens para ilustrar melhor o texto de voces.

    Prof. Zé Raimundo

    ResponderExcluir